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  Entrevista com Leniton: o Rota 33

Por Marcos Paulo Bin
08/06/04


Em mais de uma hora de entrevista, Lenilton falou sobre diversos assuntos. Confira, a seguir, a entrevista na íntegra com o músico. O texto está dividido em duas partes: nesta primeira, Lenilton fala de seu novo grupo, o Rota 33: como ele foi criado, quem o compõe, as perspectivas etc. Na segunda, ele explica os motivos de sua saída do Novo Som.

Desde que saiu do Novo Som, o que você tem feito?

Tenho me dedicado mais à minha família, pois não tenho viajado tanto. E isso tem sido bom para todos. Tenho me dedicado a um trabalho também, que na verdade eu nem queria fazer. Mas Deus me mostrou, e então eu disse: Senhor, se Tu queres que eu faça isso, quem são as pessoas? Para mim era fácil pegar minha agenda, chamar um monte de gente e montar uma superbanda. Mas não queria isso, e sim o que Deus queria que eu fizesse. Deus colocou no meu coração as pessoas e eu fui ligando. E elas foram testificando: “há muito tempo eu vinha esperando uma oportunidade dessas, e Deus me respondeu”. O grupo foi formado assim, e Deus tem honrado e testificado até hoje.

O que você pretendia, exatamente, quando saiu da banda?

Pretendia continuar com minhas composições, produzindo, arranjando. Para mim era mais tranqüilo, eu trabalharia mais em casa. Mas Deus me mostrou outra coisa. Ele me deu inclusive o nome da banda, Rota 33 – rota: caminho, itinerário; e 33, idade de Cristo. Na verdade, é o caminho de Cristo.

Quando você recebeu esse toque? Na época você já estava compondo?

Na verdade, quando eu saí da banda, não tive tempo nem para sentir muito o fato porque estava preocupado com o aniversário de 15 anos da minha filha, e também porque o relacionamento estava muito desgastado. Foi um momento conturbado, mais para meus filhos do que para mim, pois eles acompanharam o trabalho do Novo Som desde que nasceram, chamavam aquela galera de tios. Então eu fui mais guerreiro. Deus me forjou dessa forma, até porque eu fui criado em colégio interno, e isso te dá mais resistência para as coisas que acontecem a sua volta.

Vocês já estão tocando em algum lugar?

Sim, estamos. Antes de pegar qualquer instrumento a gente se reuniu, conversou e orou muito. Meu pastor, inclusive, é o mentor espiritual da banda, pois conversei muito com ele durante as coisas que ocorreram no Novo Som. Agradeço a Deus pela vida dele, pois ele me ajudou a passar por esse vale. A banda decidiu fazer o que Deus quer. Ele nos deu talento, mas nós precisamos fazer o que Ele quer. Foi Deus que juntou cada um ali. E isso tem se testificado em cada lugar em que tocamos; Deus sempre manda uma palavra. O resultado tem sido espetacular. As pessoas têm sido muito tocadas pelo nosso trabalho, até nós mesmos. Eu sei que Deus tem preparado para nós uma porta muito grande. Nós somos testemunhas disso. Gravamos duas músicas já valendo para o disco – Pra Voltar Atrás e Inabalável. E deu um bom resultado. Essa música tem causado impacto em muitos lugares. Levamos para algumas gravadoras, mas vamos ficar onde Deus determinar.

Além dessas duas músicas, vocês têm outras?

Temos o repertório inteiro. Teve música que tive que deixar de fora. A maioria do repertório é meu. Estou mantendo a linha do Novo Som. Aliás, mantendo a minha linha, pois a música do Novo Som fui eu que fiz. Não tem como eu reaprender a compor, a arranjar. Eu arranjo do jeito que sempre arranjei, somente acrescentando alguns elementos novos. Foram 20 anos compondo dessa forma. Aos 42 anos, não tem como aprender uma forma nova, preocupado com o trabalho do Novo Som.

Quem são os outros integrantes da banda?

O tecladista, Jorjão Barreto, já tocou com a Banda Black Rio, Gilberto Gil, Tim Maia e muitos outros. Ele era viciado e Deus o libertou. Ele tem sido discriminado, chamado de “cinqüentão”, mas Deus usa a pessoa na hora e do jeito que Ele quer. O Adriano, nosso leading vocal, é dono de uma voz grave, e foi indicado pelo Magrão, guitarrista que foi do grupo Primeira Essência. Eu não queria apenas um grande cantor, e sim uma pessoa que, primeiramente, tivesse compromisso com Deus. Quando liguei para o Adriano, descobri que ele foi meu soldado na Unifa (Universidade da Força Aérea). Na época ele já cantava muito bem, só não era evangélico. E ele me disse que era a resposta de Deus, pois vinha orando há muito tempo esperando essa proposta, depois de fazer um trabalho secular que não deu certo. Deus usava as pessoas para dizerem que ele precisava cantar para o Senhor. Por isso o trabalho dele não ia pra frente. Temos o Dilson, baterista, que tocou no Novo Som logo no início. Quando o Geraldo saiu da banda, o Dilson veio tocar conosco. Depois o Geraldo resolveu voltar, e nós o aceitamos de volta. Ficou até uma situação meio constrangedora, mas ele entendeu. Foi a primeira pessoa que veio ao meu coração. Ele não é um baterista muito técnico, como eu, que sou um bom baixista. Mas o que importa é a unção e um trabalho bem-feito. Não estamos preocupados com o que as pessoas vão dizer; não temos que provar nada pra ninguém, apenas para Deus, espiritualmente. Tem também o guitarrista, Walmir Arueira, maranhense, chamado por nós carinhosamente de “bichinho”. Tenho certeza de que foi outra pessoa que Deus colocou no nosso caminho, porque antes dele passaram dois ou três guitarristas pela banda, mas rápido. Deus o separou para este trabalho. Ele tem uma virtuosidade incrível. Tecnicamente falando é um dos melhores da banda. Temos ainda o Moisés, que também canta algumas músicas, e é violonista. Ele era de um grupo de pagode de São Paulo chamado Grupo Tempero. É filho de pastor, estava desviado mas voltou para Jesus. Ele é da praia da MPB, cantando parece o Guilherme Arantes. Não é o estilo que eu estou acostumado, mas era um talento que a gente poderia aproveitar.

Vocês levaram as duas músicas para a MK?

Sim, não tem porque não levar, afinal eu fui de lá. Não tenho nada que reclamar da gravadora, mesmo porque ela não tem nada a ver com o que aconteceu entre mim e o Novo Som. Levei lá e teve um bom resultado; elas causaram um impacto muito grande nas pessoas que ouviram. Deus moveu o coração delas, elas se derramaram. Algumas até porque conhecem a história da gente e se sentiram sensibilizadas, vendo o poder de Deus ali. Posso até citar o nome do Kleber Lucas, porque ele acompanhou a minha história de perto. Quando ele ouviu Pra Voltar Atrás, na sala da dona Yvelise, se derramou. A história que Deus escreve por nós ninguém apaga. E eu creio que minha história no meio gospel foi e está sendo escrita por Deus o tempo inteiro. Até porque eu entendo que sem Deus eu não sou nada. Quando isso acontece, Deus mostra quem a gente é de verdade. A Bíblia diz que pelos frutos voz conhecereis. Isso não nos dá o direito de julgar ninguém, mas dá para saber quem é quem. Existem coisas em que a gente não precisa dizer nada: basta ver o fruto. E nada fica encoberto para sempre. Eu quero dizer o seguinte: não sou perfeito, tenho defeitos que você não tem e vice-versa. Precisamos entender um ao outro e nos admoestarmos em amor, como diz a Bíblia.

Existe possibilidade de a MK contratar o Rota 33 ou seria inviável a convivência com o Novo Som?

Acredito que exista a possibilidade, porque é Deus quem está determinando tudo em nosso trabalho. Começamos a gravar quando Deus determinou, e assim foi quando levamos o disco para as gravadoras. E as portas das gravadoras que se abrirem serão porque Deus determinar. A dona Yvelise se interessou muito pelo trabalho, pelo impacto espiritual que essa música causou nos bastidores da MK. Antes de ir para lá, eu chamei o pessoal e falei: nós vamos dizer à dona Yvelise que estamos indo para fazer a diferença, e não ser mais um. Tanto em testemunho de vida pessoal como no nosso trabalho. E veja como Deus é tremendo: não precisamos dizer nada disso. Quando fui lá conversar, ela me disse que sabia que Deus havia me tocado de forma diferente e que eu estava com uma nova visão das coisas. E eu disse para ela: se as portas da sua gravadora ficarem fechadas para mim, não será por sua causa, mas porque Deus fechou. E eu não vou ficar chateado, por que se isso acontecer não é para a gente estar lá. Porta que Deus abre ninguém fecha, e porta que Deus fecha ninguém abre. Não estou preocupado em moldar minhas músicas para tocar na Globo, na MTV, mas para tocar as pessoas, para que Deus as utilize para fazer diferença na vida delas. O resto que vier é conseqüência. Tudo tem acontecido como um quebra-cabeça: as coisas se encaixam de uma maneira tão perfeita que a gente está até meio de boca aberta com o que Deus tem feito em nossas vidas. E, quando você é luz, incomoda muita gente. Isso aconteceu. Mas não me preocupo, porque Deus está erguendo nosso trabalho. E não há quem fique na frente, porque se ficar Deus vai remover. Muita gente fala muita coisa, às vezes por causa de ranço no coração, por causa de pendências, às vezes com elas mesmas, e com isso fazem mau uso das palavras. Usam determinadas palavras que nem sabem o que significam. Não sabem da gravidade das coisas que estão expondo. A Bíblia diz que a nossa língua é como uma pequena centelha que incendeia uma floresta. O homem domina várias coisas, mas não consegue refrear a própria língua. Infelizmente a gente vê isso acontecer muito no meio evangélico. Mas estou tranqüilo, porque Deus vai remover todos os entraves. Por isso estamos em paz.

O disco já tem nome?

Ainda não. Estou entre Inabalável, que é uma canção sobre aquela passagem bíblica que diz que devemos permanecer inabaláveis, ainda que as circunstâncias, que os nossos olhos não garantam essa tranqüilidade aos nossos corações. Nós nos abalaremos, na verdade, mas não muito, é o que a Bíblia nos diz. Essa canção fala de um fato que eu vi acontecer, que presenciei, e ela surgiu através de uma mensagem que meu pastor pregou na igreja...

Não há algo pessoal nisso, de dizer que você está inabalável apesar de tudo o que aconteceu?

Pode ser que tenha, inconscientemente. Não havia pensado nisso. Mas pode ser, porque quem tem certeza de que Deus está ao seu lado permanece inabalável. As pessoas dizem que a maioria sempre tem razão. Há um ditado no mundo que diz que a maioria é burra. Eu não tomaria partido nem de um nem de outro, mas optaria por ficar com a Palavra de Deus, que por várias vezes mostra que a maioria estava errada. Você pode ver pela própria crucificação de Jesus Cristo. Quem o crucificou foi a maioria. Os irmãos de José eram maioria. Será que eles estavam certos? Será que o povo de Israel estava certo quando se acovardou em entrar na terra prometida? Quem tem a concepção de que a maioria está sempre correta tem que repensar a sua vida como cristão, porque isso não é bíblico.

Vocês têm tocado muito em igrejas?

Sim, em várias. Na verdade, antes de gravar o disco, a gente estava tocando em igrejas. Temos um cuidado muito grande com o que Deus quer para o futuro da banda. Ele não quer mais uma banda, e sim um ministério itinerante. É isso que a gente tem sentido, um ministério itinerante que tem dado resultado. A gente tem tocado, Deus tem usado pessoas para falar conosco e nos usado para falar com as pessoas.

Você tem algum testemunho para contar?

Fomos tocar numa igreja pequena, e não tinha quase ninguém quando chegamos para passar o som. Daqui a pouco começaram a chegar as pessoas, e eu reparei que no meu lado direito chegavam várias senhoras. Pensei: “quando o Walmir começar a tocar essa guitarra, vai arrepiar o cabelo dessas irmãzinhas!” Mas uma daquelas senhoras, quando o culto estava terminando, pediu para dar uma palavra. Ela disse: “irmãos, que vocês continuem fazendo o que estão fazendo, pois vocês são homens usados por Deus. Enquanto vocês tocavam uma música, Deus me deu uma visão, e eu vi um vale de ossos secos, com as pessoas caídas, se arrastando, e à medida que vocês iam tocando Deus ia restaurando a vida delas. Ali se confirmou o nosso chamado: restaurar vidas, fazer diferença na vida das pessoas. Tudo o que acontecer em termos de sucesso, discografia, reconhecimento, é simplesmente conseqüência daquilo que Deus tem para a gente. Nós vamos sempre lutar para que as coisas espirituais não venham a ser subjugadas pelos aplausos das pessoas, pelas luzes dos palcos e pelos tapinhas nas costas. Vamos lutar para que o ministério que Deus nos deu esteja sempre em primeiro lugar. Quando fizemos o primeiro culto com a banda, inaugurando-a, o pastor nos deu um palavra que ficará no nosso coração pelo resto de nossas vidas. Ele disse que me conhecia, mas o restante da banda estava conhecendo naquele momento. Aí abriu a Palavra de Deus em uma passagem que diz que o noivo tem vários amigos, mas a noiva não pertence aos amigos, e sim ao noivo. Então, quando a fama chegar – eu já convivi com isso, realmente é difícil de se lidar – que nós possamos nos lembrar de quem é a noiva. Quando Jesus entrou na cidade em cima da mula, e as pessoas acenaram para ele com palmas e flores, quem pisou nas flores foi a mula. Mas não era para ela, era para Jesus. Então que nós possamos nos lembrar que somos a mula, o amigo do noivo.

Você pretende cantar músicas antigas do Novo Som?

No nosso disco vão ser gravadas duas músicas que eu achei que ficaram perdidas em alguns discos do Novo Som, que são É Tão Pouco Dizer Que Te Amo, uma oração, e Estou Aqui, que fala sobre o amor de Deus por nossas vidas. O amor de Deus é tão grande que às vezes a gente não percebe. Às vezes o nosso sonho é tão pequeno que a gente não entende a grandeza do sonho de Deus na nossa vida. Deus sempre tem o melhor para nós.

E os sucessos, como Acredita?

A princípio, acho que devemos nos prender ao nosso repertório. Mas eventualmente sim. Pretendo até cantar uma música minha, que no Novo Som eu cantava junto com o Alex, que é Pra Não Esquecer. Não estará no disco, mas eu cantarei ao vivo e pode estar no próximo CD.


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  Começando tudo outra vez
  Entrevista com Lenilton: a saída do Novo Som


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