Busca

O UNIVERSO MUSICAL
Quem Somos
Expediente
Cadastro
Publicidade
Fale Conosco
LINKS EXTERNOS
Blog
Universo Produções
Site Marcos Bin
Orkut
MySpace
Enquete
Você é a favor do ensino obrigatório de música nas escolas, como defendem alguns artistas? Acesse nosso blog e dê sua opinião!
  Davi Moraes faz a diferença nas 14 faixas de Clube...

Reprodução
“Foi culpa da lua...” Ivete Sangalo posa como se estivesse fazendo o clipe da música Somente Eu E Você, versão do standard Moonglow. “O apelo dela é mais para o jazz, mas eu fiz mais puxada para a bossa nova”, conta Ivete
O ecletismo faz parte da tradição musical brasileira. É o que explica, por exemplo, o fato de Ana Carolina misturar uma música dançante no estilo bate-estaca em meio a um CD em que predominam os arranjos de cordas, ou que Wanessa Camargo se diga fã do Sepultura, como fez no VMB.
Na música baiana essa tendência é ainda maior. Em seu novo disco, Clube Carnavalesco Inocentes em Progresso, Ivete Sangalo, um dos expoentes da hoje combalida axé music (ou samba-reggae), explora a fundo todas as suas influências: os ritmos latinos, como salsa, rumba e mambo; a música nordestina de Moraes Moreira; o samba-rock de Jorge Benjor e Bebeto; o soul de Hyldon e Cassiano; o funk de Tim Maia; o romantismo de Michael Sullivan e Paulo Massadas; e, é claro, o samba e o reggae. Tudo isso somado à música eletrônica.
“Fui dar uma olhada na minha discoteca e vi que tinha um pouco de tudo em casa. As influências vieram naturalmente, não foi nada intencional”, diz Ivete, ressaltando a influência da música negra em sua carreira. “A música negra latina, americana e baiana é muito latente na minha vida, assim como a influência da música cubana. Tem a ver com o lugar de onde eu venho.”
A mistura de ritmos presente em Clube... é fruto da mão decisiva de Davi Moraes. O marido de Ivete participa como guitarrista em todas as faixas, imprimindo ritmo e suingue ao CD. Mas o restante da banda, que acompanha a cantora desde que ela saiu da Banda Eva, também tem papel marcante. Para valorizá-la, Ivete – que toca também surdo no disco – em alguns momentos coloca sua voz no mesmo nível da banda. “É para dar sensação de clube”, diz a cantora, referindo-se ao nome do CD, que remete ao primeiro bloco criado em Salvador, em 1900.


Melhor faixa é um samba-rock

Clube...
já começa com muito suingue. Brasileiro, a primeira faixa, já diz logo a que veio: a guitarra de Davi imprime o ritmo dançante da música, cuja letra exalta a vida... eclética, digamos, para manter a palavra da moda, do brasileiro, que gosta de cerveja, carnaval e futebol, vai à missa e ao candomblé e não deixa de comemorar apesar das dificuldades. Qualquer semelhança com Festa não é mera coincidência.
Ritmo Gostoso
, como o nome diz, não deixa a alegria cair. Começa com efeitos eletrônicos, seguidos pela forte percussão, com destaque ainda para os metais. A letra já diz: “essa gente tem axé, essa gente tem astral”. Acaba virando uma típica axé music, sem sentido pejorativo.
A faixa seguinte, Sorte Grande, a que pretende puxar o disco, não foge muito do universo das duas primeiras. Axé music altamente dançante, levada pela ótima guitarra de Davi, mas com um refrão mais forte que as duas primeiras, em que se repete a palavra “poeira”. Efeitos eletrônicos imperam como nunca.
Logo depois chega o oásis no deserto. Verdadeiro Carnaval é a melhor faixa do disco, disparado, em que Ivete prova seu talento como cantora, usando uma voz mais doce, suave, como se cantasse uma balada. Contando com presença bem menos marcante do teclado, a música é um samba-rock bem no estilo Jorge Benjor e, mais ainda, Bebeto. Ótima, vale o disco.
Só pra Me Ver
é a primeira faixa em que fica evidente a presença da música latina no CD. É uma salsa, com aquela típica introdução teclados/percussão, com forte presença dos metais em seu decorrer. A seguir, Pan-Americana segue o clima, mas partindo mais para o frevo, lembrando o carnaval de Recife, Moraes Moreira e o grupo A Cor do Som.
Faz Tempo
é a primeira faixa com violão. Tudo bem, é uma balada, mas com uma levada um pouco mais agitada, mais roqueira. Outro bom momento do CD.
Retratos E Canções
, de Sullivan e Massadas, a primeira regravação do disco, fez enorme sucesso na voz de Sandra de Sá, nos anos 80. A música aqui ganhou uma levada mais próxima do r&b, com guitarra, baixo, piano e bateria eletrônica. Ivete diz que a idéia de gravar a música partiu de Michael Sullivan, que pediu a Marlene Mattos, amiga em comum entre eles, que dissesse à cantora baiana que queria a participação dela em um disco seu, em que regravaria seus sucessos.
“Falei: ‘claro que quero’. Conversando com Marlene, sugeri Retratos E Canções. Pedi para ele me mandar a música que eu faria os arranjos, depois devolveria e ele só colocaria a voz. Só que, quando ouvi o resultado, falei que não ia devolver mais. Ele cedeu e nós demos muitas risadas”, conta Ivete, que não superou a versão de Sandra de Sá.
No soul Devagar E Sempre, Ivete mostra que, em muitos casos, prova seus dotes de ótima cantora quando foge ao universo do axé. Essa impressão é acentuada na faixa seguinte, Vai Dar Certo, que remete àquelas milhares de bandas que surgiram na Bahia fazendo a mesma música. É a mais fraca do disco.
Mais agitada, Azul da Moda também é clichê, porém um pouco melhor que a anterior. A seguir, Ivete reencontra o caminho com a segunda regravação: Eu E Você, Você E Eu (Juntinho). A eletrônica, aqui, serviu para diferenciar esta versão com a de Tim Maia, que é definitiva. Então, como melhor é impossível, uma boa gravação já é suficiente. E isso Ivete consegue, mesmo porque a música é a cara da cantora.
Natural Collie
é um dos momentos mais surpreendentes do disco. Ivete foge da música dançante para gravar um reggae lento, em inglês. A participação de Jorge Mautner, com seu indefectível violino, é um achado. “Did you like, girl?”, brincou Ivete, com uma jornalista que perguntou sobre a música. “Eu só falava hot dog e big brother. Agora sou uma mulher do mundo.”
A música foi descoberta numa coletânea de reggae. “Disse ao Davi: ‘que mantra, vou gravar em inglês’, porque gostei do modo como ouvi. Decidimos acrescentar o violino, e aí pensamos logo no Mautner. Somos amigos, ele é um músico muito sensível, trouxe uma energia boa, entendeu o disco. Ele fez um take só e ficou. Foi um momento especial”, conta Ivete.
Por fim, este sim o momento mais surpreendente de Clube...: Ivete Sangalo regravando Moonglow, um standard do jazz. A versão, feita por Dudu Falcão exclusivamente para a cantora, foi a primeira do disco a chegar ao público, muito antes do CD, como trilha da novela global “Kubanacan”. É o momento romântico do disco, que não poderia faltar, principalmente depois que Ivete emplacou Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim e A Lua Que Eu Te Dei. “O Mariozinho Rocha (responsável pelas trilhas globais) me pediu uma música para a novela, e eu escolhi Moonglow. Ouvi essa música no disco do Rod Stewart (The Great American Songbook) e adorei. O apelo dela é mais para o jazz, mas eu fiz mais puxada para a bossa nova”, explica Ivete.
Depois de ouvir Clube..., dá pra entender porque a cantora recusou o convite da MTV para um disco ao vivo. Ela realmente ainda tinha coisas boas para mostrar antes de participar do projeto. Se Clube... fará o mesmo sucesso de Festa, para a música brasileira pouco importa: o importante é que Ivete Sangalo continua cumprindo seu papel, de usar a música como entretenimento, mas sem esquecer da qualidade artística.



Veja mais:


  Ivete Sangalo recusa convite da MTV e lança quarto disco de estúdio
   Disco:  Clube Carnavalesco Inocentes em Progresso
     Ficha técnica, faixas e compositores

Matérias relacionadas:

  Ivete Sangalo lança MTV Ao Vivo no Rio e recebe Troféu U.M.
  Ivete Sangalo fala sobre seu MTV Ao Vivo


Resenhas relacionadas:

  MTV Ao Vivo
 
Graça Music anuncia novidades à imprensa

Grupo Toque no Altar nos Estados Unidos

Metade do Pink Floyd em disco ao vivo de David Gilmour

Oasis mantém o (bom) padrão com Dig Out Your Soul
 
Confira outras matérias
desta seção
 

 

       

 
 
Copyright 2002-2008 | Universo Musical.
É proibida a reprodução deste conteúdo sem autorização escrita ou citação da fonte.
 
Efrata Music Editora Marcos Goes Marcelo Nascimento Dupla Os Levitas Universo Produções