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  Entrevista com Kid Abelha: a um passo da MPB

Lui Faria/Divulgação
Paula Toller no lançamento de Meio Desligado, de 1995, o primeiro disco acústico do Kid Abelha
Por que o Kid Abelha está gravando seu segundo disco acústico? Será que em tempo de crise o grupo acha que essa é a única solução para se vender muitos discos? Por que eles deixaram de fora do CD a música Pintura Íntima, um de seus maiores sucessos, que aparece apenas no DVD? Como surgiu a idéia de convidar Lenine e Edgar Scandurra para a gravação do disco? Por que homenagear Claudinho e Buchecha e Cazuza? E o que significaria a Gilmarley Song?
Essas e outras perguntas PaulaToller, George Israel e Bruno Fortunato responderam em uma entrevista coletiva na sede da gravadora Universal, no Rio. Confira abaixo alguns trechos da entrevista e descubra por que o Kid Abelha está “a um passo da MPB”. As perguntas em azul foram elaboradas pelo UNIVERSO MUSICAL.

Como surgiu a idéia de gravar Brasil?

Paula Toller: Essa música é uma parceria do George com o Nilo Romero, que já tocou com a gente e foi nosso produtor, e com o Cazuza. É uma música dos nossos compositores que nunca gravamos. E eu acho que é um momento bom, de reflexão, de mudança no Brasil. Acho que voltar com essa música neste momento é importante; ela continua valendo.

A idéia de gravar Quero Te Encontrar veio antes da morte do Claudinho?

P.T.: Sim. Era uma música que nós gostávamos muito, que queríamos cantar, porque achamos que combina com a gente. É uma música mais ou menos no estilo de Na Rua, na Chuva, na Fazenda, que gostaríamos de ter feito e que sabemos que podemos valorizar de uma outra forma. Nossa versão ficou mais melódica, mais cantada, porque a do Claudinho e Buchecha é mais dançante, com mais ênfase na batida.

Qual foi a motivação do grupo para gravar um segundo disco acústico?

P.T.: Você pode considerar um segundo acústico, mas o Meio Desligado é um disco de 1995, fechando a tampa dos anos 80, enquanto este é um disco de uma banda do século XXI. É um disco de comemoração de 20 anos de carreira, que não é pouca coisa. Todo mundo sabe que no Brasil você tem que se manter na mídia, estar sempre lançando um trabalho novo, porque senão todo mundo te esquece. Nós temos uma história de nunca ter parado, e tivemos a honra de ter sido convidados para este projeto que é top de linha, que tem um currículo de Rita Lee, Roberto Carlos, Gilberto Gil, Jorge Benjor, Paralamas, enfim, de um monte de artistas que adoramos. É um projeto para quem pode. Mas, na hora de fazer, o nosso impulso foi “vamos fazer um disco que seja atual, que tenha sucessos dos anos 80, 90 e músicas novas, coisas com as quais pretendemos apontar um novo caminho”.

Vocês não acham que o sucesso da série Acústico MTV gera um movimento de resistência a projetos como esse?

P.T.: Por que será que o Brasil tem tanta resistência ao sucesso? Será que não é um costume de ficar sempre valorizando o sucesso de fora, enquanto aqui as coisas funcionam como “em casa de ferreiro espeto de pau”? Vemos como os americanos valorizam os produtos deles, sejam aqueles artisticamente sofisticados ou apenas comerciais. Eles valorizam isso e vendem essa valorização para o mundo inteiro, inclusive para nós. Mas o Brasil é muito besta, gosta de dizer “ah, isso é só para vender, isso é comercial”, como se isso fosse um defeito.

George Israel: Engraçado, por parte do público nós sentimos justamente o contrário, há uma cobrança. Nesse último ano, por coincidência, as pessoas perguntavam quando seria o nosso acústico. Já se espera que uma banda grande, que está na estrada há muito tempo, faça um acústico da MTV. É um formato vitorioso e que para a gente é muito favorável. Não é só a gente que gosta do formato, o formato também gosta da gente, porque nós somos uma banda que faz canções. Quando passamos nossas músicas para o formato acústico, valorizamos muito a interpretação da Paula, despimos a canção de uma sonoridade de um ano específico, de uma tribo ou outra. Além disso, tivemos a sensibilidade de estar em contato direto com público. As músicas que não poderiam ficar de fora foram escolhidas pela internet, então sentimos quais são aquelas que ainda estão valendo depois desse tempo todo, tanto para o público quanto para nós mesmos.

Na música Meu Vício Agora existe uma crise existencial ou é apenas um personagem para a letra?

P.T.: Não é autobiográfico nem é totalmente inventado. É um sentimento meio amargo, meio deprê, principalmente no ano de 2001, que foi difícil para mim, foi difícil para música, e que ainda culminou com o 11 de setembro. Foi um ano estranho, e essa música foi uma maneira simbólica de expressar esse desconforto com o mundo, com a vida.

A música Gilmarley Song não fala um pouco de 11 de setembro também?

P.T.: Não, ela fala de música e de paz. É mais uma música antimegalomaníaca do que qualquer outra coisa.
Marcos Hermes/Divulgação
Edgar Scandurra, George Israel, Paula Toller, Lenine e Bruno Fortunato na gravação do Acústico MTV, em setembro de 2002: o Kid Abelha completa 20 com fôlego renovado
A idéia de gravá-la surgiu quando fui assistir ao Kaya N’Gan Daya, o show em que o Gil canta Bob Marley. Eu fiquei muito emocionada, não só pelo repertório ou pela maneira que ele tocou, mas principalmente pelo Gil, por ver aquele cara ali com 60 anos de idade como uma fonte da juventude. É a música, é o gás que ele tem, parece um menino, um molequinho feliz para caramba. E todo mundo saiu muito feliz daquele show. Eu fiquei pensando nisso e comecei a bolar esse nome híbrido, que é muito comum no Rio de Janeiro, misturando palavras. Aí achei bacana esse nome e a letra veio rápido. E fizemos um arranjo meio MPB. Estamos a um passo da MPB (risos).

G.I.: Essa música é a minha preferida. Eu acho que ela é um atestado de amor à nossa profissão. Da mesma forma que recebemos essa inspiração do Gil e do Marley, nós podemos transmiti-la.

Vocês não acham que os fãs da banda ficarão decepcionados com a ausência de Pintura Íntima no CD?

P.T.: Não acho. Sempre se procura ter uma coisa a mais no DVD, que é um produto mais novo. Pintura Íntima já tem no disco original, Seu Espião, já tem remix, então achamos que seria uma coisa que valeria mais para o show, mesmo, como um encerramento. O disco ficou mais para você ouvir seguido, curtir as músicas, e Pintura Íntima ficou como uma brincadeira, uma coisa mais carnavalesca, que é mais legal estar no DVD.

Teve alguma música que os internautas escolheram e que vocês disseram “essa não”?

Não. As músicas mais votadas estão lá, que foram Grand’ Hotel, Como Eu Quero e Eu Tive Um Sonho. São as músicas que não podem faltar.

Curiosamente, são as únicas músicas que vocês repetiram de Meio Desligado...

Bruno Fortunato: Para você ver como foi difícil escolher o repertório. Eu lembro que a gente, nos últimos ensaios, tentava se lembrar de alguma música que não podia ficar de fora. Mas acho que fizemos uma garimpagem legal.

P.T.: São 16 músicas além dessas três. Não nos preocupamos com essa coincidência porque são dois discos bem diferentes.

Houve algum reparo em estúdio?

P.T.: Nós ensaiamos oito horas por dia durante 20 dias, ficamos muito cansados, justamente para poder chegar nos dois dias de gravação e valer tudo. E valeu a pena o sacrifício. Os músicos arrebentaram, e o que vocês vão ouvir no disco é o que foi feito, sendo que em algumas músicas a gente pôde escolher, porque as repetimos. Às vezes é escolhido um take para o CD e outro para o DVD. Por exemplo, em Os Outros, música só de piano e voz que repetimos três ou quatro vezes, escolhemos um take que aconteceu só uma vez: no final da música, quando eu terminava de cantar, comecei a escutar o meu coração bater e comecei a deixar a voz vibrar junto. Isso nunca havia acontecido e não aconteceu das outras vezes. Essas coisas são superlegais, pois está tudo ensaiado mas ainda pode-se esperar que surpresas interessantes aconteçam.

O DVD vai trazer as “homenagens” a Kelly Key, Roberto Carlos...?

P.T.: Sei lá, se eles deixarem... Estamos esperando a autorização. Não sei se vai dar tempo, porque o DVD vai sair em dezembro. É questão de esperar e ver, mas eu acho que vão estar sim.

Como surgiu a idéia de convidar o Lenine para o disco?

P.T.: O Lenine é um cara que admiramos muito, e é muito identificado com essa coisa mais MPB. O chamamos porque o resultado seria uma surpresa, pois ele não é um convidado óbvio do Kid Abelha. No ensaio foi o maior divertimento, porque ele começou a cantar de um jeito que nós não esperávamos. Na Rua, na Chuva, na Fazenda é uma das principais músicas do nosso repertório e ganhou uma nova cara.

Como foi a participação do Edgar Scandurra?

P.T.: Foi ótima. O Edgar é um amigo nosso, de uma banda irmã de geração. Teoricamente o povo iria achar que o Kid Abelha e o Ira! não têm nada a ver um com outro, mas têm. A música consegue fazer a junção de coisas que pela postura, pela fotografia, nunca iriam se juntar. Mas chamamos o Edgar para tocar em Como Eu Quero, que é uma música clássica da banda, e ficamos chocados como ficou legal, com o violão e a voz dele juntos comigo. Tanto que acrescentamos meio de improviso a segunda música, que não estava prevista, que é Mudança de Comportamento. Ela apareceu no ensaio geral, na véspera da gravação. Enquanto nós esperávamos ajustar alguma coisa, ficamos levando essa música e todo o pessoal da produção falou: “vocês não vão tocar essa? Como? Está linda!”. Vocês vão reparar que é uma música que não tem a banda tocando, porque não foi ensaiado assim.

Como você, que citou a Kelly Key na gravação do disco, vê o cenário da música pop brasileira hoje?

P.T.: Eu acho que esses fenômenos todos, por exemplo, da Kelly Key, ou do funk, há um tempo atrás, não são tão bem-feitos mas têm alguma graça, são divertidos. Claudinho e Buchecha eram assim, um tremendo astral. São coisas que sempre causam um certo estranhamento, e isso eu acho que tem um pouco a ver com o estranhamento que nós causamos no começo. Eu acho que o pop, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, está certinho demais. Essas bandas de adolescente são muito de plástico para o meu gosto. É tudo muito bem gravado, tudo muito bem apresentado, bem produzido, mas eu não vejo invenção ali. E às vezes você vê uma coisa que tem um pouco de defeito, como o funk, que era tosco, mas que traz alguma coisa em que você diz “ninguém cantava desse jeito”, e é claro que pode haver uma evolução dentro daquilo.

Vocês acham que a crise vivida pelo mercado impede que se venda muitos discos só com músicas inéditas?

Eu acho que a mídia, principalmente a televisão, é muito responsável por isso. Nós, por exemplo, temos esse problema, que não seria um problema, de ter uma boa quantidade de sucessos. Quando vamos a um programa de televisão e queremos mostrar a música nova, eles querem que a gente toque o sucesso, porque aí a audiência vai subir um ponto, e a pessoa não vai trocar de canal etc. Então nós negociamos: vamos tocar uma nova e uma antiga. E isso acontece na hora de gravar um disco. Nós temos feito isso. Desde 95 temos alternado um disco inédito e um de projeto. Já tivemos o Meio Desligado, que era acústico, um de remixes, o Coleção, e entre esses nós lançamos nossos discos inéditos. Essa é uma maneira de se manter na mídia e de se divertir um pouco, porque esse tipo de disco é mais lúdico do que um todo inédito. Assim ganhamos um tempo para se inspirar e ensaiar para o nosso disco de carreira, que é quem faz o mundo girar. É o disco inédito que faz com que um dia nós tenhamos regravações para fazer.


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   Disco:  Acústico MTV
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