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  Entrevista com Los Hermanos: “talvez sejamos diferentes dessa galera que toca no rádio”

Os Hermanos não têm medo de declarar suas discordâncias com bandas de rock como Charlie Brown Jr. “Eles são precursores desse estilo que combatemos”, diz Marcelo Camelo (à dir.)
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Rock com samba e MPB, depressão, melancolia e muita música boa. Este é um pequeno resumo do que o público vai encontrar no terceiro CD do grupo carioca Los Hermanos, Ventura. Em um restaurante em frente à Praia do Arpoador, na Zona Sul do Rio, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Rodrigo Barba e Bruno Medina conversaram com a imprensa sobre o disco e sobre os rumos da banda. Ah, falaram até de seu visual barbudo, de suas diferenças para as bandas contemporâneas e de suas “desavenças estéticas” com o Charlie Brown Jr. Confira como foi a entrevista.



O novo CD de vocês é bem parecido com o anterior...

Marcelo Camelo:
Sim, é parecido na medida em que somos nós quatro mais uma vez. Mas tem um ano e meio de diferença em relação ao outro. Esse disco reflete a nossa ansiedade por caminhos diferentes.

Rodrigo Amarante:
O primeiro CD é muito diferente do segundo, por isso muitas pessoas acham que esse é igual ao segundo. Nós experimentamos no Bloco... No nosso primeiro disco fizemos a pré-produção em um estúdio tradicional, e fizemos um registro das nossas músicas do underground.. Com o Bloco... foi a primeira vez que paramos para fazer um CD. Fizemos uma reclusão em um sítio, e acabou virando um método necessário. Isso é fruto, primeiro, da nossa vontade de concentração. Não é só tocar – a gente conversa, toca violão, faz as letras...

O Bloco... foi um grande sucesso de crítica. Como vocês viram isso?

MC:
No nosso curto espaço de tempo, já vivemos situações totalmente díspares. Éramos uma banda underground querida e, depois de Anna Julia, passamos a malditos. Com o Bloco... voltamos a ser bacanas de ouvir. Tudo era conseqüência da música que a gente fazia. A aceitação vem do fato de pensarmos a música como uma forma de expressão, e de lançarmos mão da via estética. Não queremos ter um estilo, dizer “esse é o estilo Los Hermanos”. Somos de uma mesma geração, mas com bagagens diferentes. Nossa música é a conseqüência da mistura disso tudo.

RA:
Nós somos, sim, a banda que fez Anna Julia. Não temos preconceito com público. Somos populares, porque não escolhemos classe social, não pensamos em quem vai gostar da música e quem não vai. Anna Julia é uma canção autêntica. Nesse sentido, continuamos fazendo Anna Julias.

Qual é a preocupação de vocês na hora de fazer um disco?

RA:
Queremos ser felizes. Isso não é um ato heróico. Não queremos colocar as conseqüências antes das causas. Risco é não imitar, não ter medo de ser popular. Se arriscar é se expor. Ser popular é se opor a fazer música para um determinado público. Não pensamos em quem vai gostar. Isso é ser popular.

O que querem dizer com “ser popular”?

MC:
Ser popular não é criar refrãos fáceis, que as pessoas repetem. Ser popular é fazer o que agrada a cada um. Rótulos como ser banda de skate, de hardcore, criam um público, mas ao mesmo tempo restringe. Não temos compromisso com a marca Los Hermanos. Não queremos criar estigmas – os que criam para a gente já são suficientes.

Bruno Medina:
As pessoas têm sentimentos, e o que impera no rock de hoje é a auto-afirmação. Somos populares no sentido de que não escolhemos para quem falar. Existem músicas nossas que não falam para a juventude. Temos pessoas de 40, 50 anos que gostam da gente. Isso é legal, isso é ser popular.

É difícil viver de música hoje no Brasil?

RA:
Sim. O disco é caro; eu vivo disso e não compro. A pirataria é só a conseqüência, um sintoma. Ela tem feito com que os discos saiam ainda mais caros para as gravadoras.

BM:
Nossa antiga gravadora faliu, e isso é uma prova da situação. Na época do nosso primeiro CD era mais fácil ganhar disco de ouro. Hoje a banda que vende 100 mil cópias pode ser considerada herói. As bandas têm que se adaptar à nova realidade. O nosso site, por exemplo, foi muito importante para a divulgação do Bloco... Tivemos problemas de divulgação com a gravadora, e o site ajudou. Estamos entre os 20 mais acessados da UOL, disputando com nomes absurdamente maiores.

Como vocês receberam a notícia do fechamento da Abril e o interesse da BMG?

BM:
A BMG comprou este disco com ele em andamento, sem ouvir. Eles deixaram tudo nas nossas mãos. Nós conquistamos esse direito; obtivemos respeito e confiança pelo sucesso de crítica que foi o Bloco... É inteligente por parte da gravadora fazer isso.

MC:
Fomos pegos de surpresa com o fechamento da Abril. Foi assim: estávamos ensaiando quando recebemos um telefonema dizendo que o ensaio do dia seguinte estava adiado porque a gravadora havia fechado.

BM:
No dia seguinte recebemos telefonemas de outras gravadoras falando do interesse delas. Queríamos acabar o disco, porque sabíamos que poderíamos vendê-lo. Mas isso não aconteceu.

Bloco do Eu Sozinho foi um grande disco, mas teve problemas de divulgação. Vocês ainda pretendem divulgá-lo de alguma forma?

RA:
O Bloco... foi mal distribuído e divulgado. Creio que a cada disco que lançarmos estaremos fortalecendo o Bloco...

MC:
Queremos fazer música independentemente do mercado. Nos opomos ao disco-pokemon: quando sai o segundo, o primeiro já não faz mais sentido. Queremos que daqui a 20 anos as pessoas fiquem curiosas para saber como foi o nosso trabalho no passado.

Vocês gravaram um samba no CD, a música Samba A Dois. Falem sobre ela.

RA:
Essa música leva a palavra samba no nome, mas existe samba em outras também. Samba é tão amplo quanto a música brasileira. É um ponto de partida, que harmônica e tematicamente aparece no CD. Tudo o que está na nossa música é conseqüência do que nós somos. Não queremos ter rótulos.

Muitos cantores e bandas de sua geração estão flertando com o samba. O que há de comum entre vocês?

MC:
Realmente é característica das gerações mais jovens mudar o que foi feito antes. Principalmente porque nos anos 80 e 90 a música brasileira foi muito maltratada. É natural que a nossa geração olhe pra trás.

RA:
Não fazemos esforço de resgate nem temos interesse museológico. Somos cariocas, vivemos 20 e poucos carnavais, é natural falarmos de samba. Temos tanto respeito pelo Chacrinha quanto pelo Noel Rosa.

Esse disco é a cara do primeiro ou do segundo?

RA:
Eu diria que é a cara do terceiro.

MC:
É impossível um disco não fazer referência aos anteriores. Não gostamos quando um jornal compara os discos. Minhas músicas são influência de tudo que vivi, não propriamente de Chico, Caetano. A arte é o processamento de várias coisas.

O disco, em alguns momentos, é um pouco melancólico...

RA:
Em alguns momentos todos são melancólicos. Hoje no rock é a lógica do “vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer”. Não existe generosidade, não se divide nada. A melancolia para mim significa sinceridade, abrir o coração e dizer o que a gente sente. Quem nunca se sentiu triste depois de um filme? Quem nunca pensou: “será que eu compartilho aquilo?”

MC:
Tem a ver com um pouco de entrega, de fazer as coisas para as pessoas. Hoje as pessoas precisam se achar as mais bacanas. O ser humano é sozinho por natureza.

Vocês se acham fora de sintonia com as outras bandas de sua geração?

RA:
Não estamos fora de sintonia. Encontramos eco em outras gerações. Hoje em dia acontece uma coisa falsa, de querer ser o foda. Talvez sejamos diferentes dessa galera que toca no rádio.

MC:
“Eu me fortaleço é na sua falha”. Essa parece mais uma frase do demônio.

RA:
É difícil ouvir rádio. E tocar no rádio é apenas uma questão de sobrevivência. O rádio é democrático enquanto veículo, mas não o conteúdo.

Porque todos vocês usam barba?

BM:
É uma coisa de queixo. Eu fico mais másculo.

Vocês não tocam mais Anna Julia?

MC:
Não tocamos, mas talvez voltemos a tocar agora. Acho pior o cara que nos diz: “parabéns, vocês não tocam Anna Julia.”

B:
Nós tocamos dependendo do lugar. Nas capitais, o público do show é mais do Bloco... No interior as pessoas conhecem mais o primeiro disco inteiro.

Vocês falaram tão mal do Charlie Brown Jr... Os Hermanos tocariam com eles?

MC:
Acho um encontro pouco provável. É uma banda com a qual temos discordâncias estéticas. Não é juízo de valor pessoal. Eles são precursores desse estilo que combatemos.


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