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Divulgação/Maurício Valladares
Em seu quarto CD, intitulado simplesmente 4, os cariocas do Los Hermanos afastam-se ainda mais do pop-rock, aproximando-se da MPB
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Por Marcos Paulo Bin
15/08/2005
Esta matéria está na seção Pop-rock apenas pelo passado do Los Hermanos. O
quarto CD dos barbudos cariocas, intitulado simplesmente 4 (Sony-BMG),
tem muito pouco de rock, para não dizer quase nada. Se fosse para categorizar,
com o lançamento de 4 os Hermanos mostram-se muito mais próximos da MPB
do que do pop-rock.
Produzido por Kassin, o disco dá seqüência a uma sonoridade – mais que isso, um
conceito musical e filosófico – que os Hermanos vêm buscando desde Bloco do
Eu Sozinho. Ou melhor, desde saíram do underground e estouraram com Anna
Julia, de uma forma que poucas bandas iniciantes no mainstream conseguiram.
De lá para cá, Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba
vêm tentando seguir uma concepção diferenciada do mundo pop, na qual as canções
de refrão fácil e apelo popular – como Anna Julia e qualquer música pop
que faz sucesso no rádio – dão lugar a temas existencialistas, melodias soturnas
e depressivas, vocais angustiantes, experimentações e misturas com gêneros
musicais diversos.
Todos esses elementos estão presentes em 4, elevados à máxima potência.
São 12 faixas, sete assinadas por Camelo e cinco, por Amarante. Cada um canta a
sua, como de costume. O disco soa muito mais como uma continuação natural
(dentro da proposta do grupo) de Bloco do Eu Sozinho e Ventura do
que um “amadurecimento”, como disseram alguns críticos, ou uma busca por
mudanças, como o próprio quarteto afirmou em entrevistas.
Algumas faixas de 4, como a existencialista Primeiro Andar, de
Amarante (“Eu preciso andar/ Um caminho só/ Vou buscar alguém/ Que eu nem sei
quem sou”), parecem uma repetição do que os Hermanos fizeram em Ventura.
Mas, no geral, não é isso. A impressão que se tem, comparando 4 aos dois
discos anteriores, é que o quarteto a cada trabalho se afasta mais de seu álbum
de estréia e do universo pop em geral.
Um disco para os fãs
O novo CD é bem menos comercial e muito mais experimental que Bloco... e
Ventura. Vide as canções Os Pássaros e É de Lágrimas, que
de tão tristes parecem sombrias, com seus sons estranhos misturados a arranjos
minimalistas. Assim como Dois Barcos e Primeiro Andar, são músicas
que dificilmente tocarão no rádio ou farão sucesso de massa.
Ecos dos sambas de Chico Buarque (presentes em Ventura) continuam.
Somados ao estilo minimalista joão-gilbertiano, resultam em Fez-se Mar e
Sapato Novo, que se aproximam da bossa nova. Numa outra linha, também
longe do rock, está Paquetá, uma salsa.
Ortodoxos, talvez, mas nem tanto. A sexta faixa do disco, Morena, dá um
pouco de luz à escuridão inicial, e abre uma seqüência de três músicas que faz
os Hermanos chegarem mais perto do tipo de som que toca numa rádio de pop-rock.
A primeira, O Vento, é a mais pop do CD, e não foi escolhida a primeira
faixa de trabalho à toa. Depois vêm Horizonte Distante e Condicional;
esta segunda é outra música que pode ter uma vida radiofônica.
Em resumo, 4 não é tão brilhante como Bloco... e Ventura,
nem nas letras nem nas melodias. O que não significa ser ruim. É um disco que
segue um estilo, um caminho preestabelecido pela banda e que, com maior ou menor
intensidade, vai agradar a quem prefere os Hermanos pós-Anna Julia. Um
fã-clube fiel, que estabeleceu uma espécie de relação messiânica com a banda
(quem já foi a um show do Los Hermanos sabe como é). 4 parece ter sido
feito para essas pessoas, ou para quem pensa como elas. E só.