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Um exemplo para Maria Rita
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www.norahjones.com
The Handsome Band: Adam Levy, Lee Alexander, Norah Jones, Daru Oda, Andrew Borger e Kevin Breit. Em seu novo disco, Norah preferiu gravar com os mesmos músicos que a acompanham há dois anos
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No release de divulgação de Feels Like Home (EMI),
segundo CD de Norah Jones, a cantora e pianista americana diz que, desta vez,
preferiu “dar um pouco mais de velocidade” às canções,
“deixando um pouco de lado o clima tranqüilo e melódico”
do CD anterior, o multiplatinado Come Away with Me.
Não é para tanto. A maioria das 13 faixas de Feels Like
Home – 11 delas compostas por Jones e por integrantes de sua banda,
a Handsome Band – mantém o jazz contemporâneo de Come
Away with Me. Músicas como Those Sweet Words, Toes,
Above Ground e The Long Way Home trazem os mesmos ritmos lentos
e a mesma voz sussurrante de Norah, no tradicional esquema piano-baixo-guitarra-bateria.
Mas Norah tem uma certa razão quando fala em botar o pé no acelerador.
Conhecida, no disco anterior, por misturar folk e blues ao jazz tradicional, a
cantora vai mais fundo na fusão de ritmos em seu novo – e excelente
– disco. A primeira faixa de trabalho, Sunrise, é folk puro,
no melhor estilo Bob Dylan. What Am I to You e Be Here to Love Me
também flertam com o gênero. Já Creepin’ In,
a melhor e mais animada faixa do disco, não tem nada de jazz – é
country purinho, daqueles que embalam as tradicionais festas texanas. E ainda
há espaço para as baladas Humble Me e The Prettiest
Thing e para o blues In The Morning.
Outro destaque do disco é Don’t Miss You at All, que na
verdade é uma versão, com letra de Norah, para a instrumental Melancholia,
de Duke Ellington. A cantora, que já havia gravado a música em uma
fita demo no início da carreira, vinha apresentando a canção em
shows, mas ela só entrou mesmo no CD por um pedido especial
do presidente da Blue Note (divisão da EMI para o jazz), Bruce Lundvall.
“Eu não planejei escrever a letra dessa música; o simples
fato de pensar em mexer numa composição de Ellington me assustou
muito. Mas fui inspirada por ela”, diz Norah, que interpreta a canção
sozinha, ao piano.
CD vende 1 milhão de cópias em uma semana
Feels Like Home foi lançando mundialmente no dia 9
de fevereiro, exatamente 100 semanas após o disco de estréia de
Norah, que teve uma repercussão muito maior do que a cantora poderia
sequer sonhar. O CD vendeu 16 milhões de cópias mundo afora –
8 milhões somente nos Estados Unidos – e ganhou todos os Grammys
que disputou em 2002, incluindo “gravação do ano”
e “disco do ano”.
O novo disco já começou batendo recordes. Em apenas uma semana,
chegou à marca de um milhão de cópias vendidas nos Estados
Unidos, a maior vendagem inicial de um CD na terra de Tio Sam desde julho de
2001. Feels Like Home também estreou nas paradas de
16 países em primeiro lugar, incluindo os próprios Estados Unidos
e a Nova Zelândia. Na semana de 16 a 20 de fevereiro, o CD aparecia em
primeiro lugar no Top 100 da Billboard, 11 posições acima de Dangerously
in Love, de Beyonce, grande vencedora do último Grammy. Feels
Like Home ainda liderava a parada de vendas pela Internet (Top 20).
No Brasil, no mesmo período, o disco aparecia em 37º lugar em São
Paulo e em 47º no Rio, segundo o Instituto Nopem.
Feels Like Home foi gravado em Nova York entre abril e dezembro
de 2003. Norah preferiu não mexer em time que estava ganhando: mais uma
vez convocou o produtor Arif Mardin, que trabalhara ao lado dela em Come
Away with Me, e decidiu manter como base a banda com que trabalha desde
2002, formada por Adam Levy, Kevin Breit (guitarras), Daru Oda (teclado), Lee
Alexander (baixo) e Andrew Borger (baixo).
Mas algumas participações abrilhantam ainda mais o CD, que agrada
até mesmo quem não é fã de jazz. Na ótima
Creepin’ In, Norah divide os vocais com a lendária cantora
Dolly Parton, a quem conheceu no Country Music Awards 2003, em Nashville. Já
o baterista Levon Helm e o tecladista Garth Hudson, do grupo The Band, foram
convidados por Norah para ajudá-la a terminar a música What
Am I to You (Hudson participa ainda de Be Here to Love Me). Completam
a lista o baterista Brian Blade (The Prettiest Thing), os guitarristas
Jesse Harris (Those Sweet Words e Carnival Town) e Tony Scherr
(What Am I to You) e o tecladista Rob Burger (Those Sweet Words
e Creepin’ In).
Guitarra faz a diferença
A sonoridade de Feels Like Home, algumas vezes, lembra muito
a do primeiro disco de Maria Rita, que flerta com o jazz. Mas não só
Norah como sua banda estão anos-luz à frente da filha de Elis
e seu time, por um motivo bastante simples: os músicos americanos aproveitam
ao máximo todas as possibilidades que o jazz proporciona, principalmente
o improviso dos instrumentistas – que se revezam nos solos, prevalecendo
ora o piano, ora o baixo, ora a guitarra – enquanto os brasileiros são
burocráticos (no show de Maria Rita, nenhum músico faz um solo
sequer).
Além disso, a presença da guitarra é fundamental no disco
de Norah – e se sobressai em faixas deliciosas como What Am I to You,
Toes e Humble Me – enquanto Maria Rita sequer utiliza
o instrumento em sua banda (que conta apenas com piano, baixo, percussão
e bateria). Ouvir Feels Like Home fará bem à
filha de Elis, caso ela queira seguir o rumo do jazz contemporâneo.
Disco:
Feels Like Home
Ficha técnica, faixas e compositores
Pop, country, folk, blues e pouco jazz no show de Norah Jones no Brasil
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