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Doze anos depois, o Living Colour voltou ao Brasil dentro da turnê mundial de seu novo disco, Collideoscope, que inclui o cover Back in Black, do AC/DC
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Por
Marcos Paulo Bin e Felipe Resende
Quem conhecia o Living Colour apenas por Love Rears Its Ugly Head se
surpreendeu. Quem era fã de carteirinha foi ao delírio. Doze anos depois de se
apresentar no Rio, durante o extinto Hollywood Rock, o quarteto americano
formado por Corey Glover (voz), Vernon Reid (guitarra), Doug Wimbish (baixo) e
Will Calhoun (bateria) voltou à Cidade Maravilhosa para uma apresentação única,
no Canecão, no dia 22 de abril. A passagem do grupo pelo Brasil rendeu ainda
dois shows em São Paulo, um em Curitiba e um em Porto Alegre.
O som do Canecão – que, recentemente, só para citar alguns nomes, já
incomodou Rita Lee, Catedral e Erasmo Carlos – voltou a aprontar das suas:
microfonias constantes, microfones abafados e outras cositas mas. Nada
que tirasse a empolgação de um público que, embora não tenha lotado a casa,
estava muito animado durante as mais de duas horas de show. Entre os fãs, nomes
ilustres do cenário roqueiro nacional como Marcus Menna e Bicudo (vocalista e
baterista do LS Jack), Frejat, Tony Garrido, Pepeu Gomes e o bluesman Big Joe
Manfra.
Empolgação também não faltou à banda. Com seu rock pesado e muito
bem-feito, o Living Colour fez os mais de 2.000 fãs pularem e vibrarem a cada música.
Após o bis, quando alguns pensavam que o show já tinha acabado, o Canecão em
peso conclamou o grupo a voltar e eles não resistiram. A música escolhida para
encerrar o show não poderia ser mais apropriada: Should I Stay Or Should I
Go (“devo ir ou devo ficar?”), clássico do The Clash. Mesmo assim,
quando a banda saiu do palco, muita gente permaneceu no Canecão, acreditando
num terceiro bis. Pepeu foi um deles. “Estou adorando. Sempre foi fã do
Living Colour”, derreteu-se o cantor e guitarrista.
Grupo relê AC/DC, Hendrix e White Stripes
Por falar em releitura, foi com uma que o Living Colour abriu o show. A banda
entrou no palco, para delírio dos metaleiros de plantão, tocando Back in
Black, sucesso do AC/DC que o quarteto incluiu em seu mais recente CD, Collideoscope
(Sanctuary). O disco marca o retorno do grupo após quase dez anos parado – em
95, devido às brigas entre Reid e Glover e à mania de exibicionismo dos
integrantes, o Living Colour acabou. Collideoscope foi lançado em
outubro de 2003 nos Estados Unidos e ainda não chegou ao Brasil. Outras duas
releituras também fizeram o público vibrar: Seven Nation Army, dos
White Strips, cantada por Reid, e Crosstown Traffic, de Jimi Hendrix, já
no bis.
Muito auto-confiantes, os integrantes do Living Colour deixaram que o ego
falasse mais alto, o que levou à separação do quarteto. O curioso é que, em
sua volta, os quatro continuam fazendo questão de mostrar suas habilidades
individuais, que são muitas e por vezes até se sobressaem ao coletivo.
Quem mais se destaca na banda é o baixista Doug Wimbish. Ótimo instrumentista
e com um grande carisma, ele cativou o público com sua técnica e seus
sorrisos, mesmo sem se mexer tanto como o vocalista Corey Glover. Irrequieto no
palco, para desespero dos fotógrafos, Glover não se mostrou tão carismático
como Wimbish, mas a cada um de seus agudos parecia que o Canecão iria abaixo. O
baterista Will Calhoun mostrou suas habilidades antes do bis, fazendo um longo
solo, acompanhado apenas de programações eletrônicas e uma voz sampleada de
um discurso religioso, que chegou até a ser cansativo. Já Vernon Reid foi o
responsável pelo espírito roqueiro do show, que só foi quebrado quando a
banda tocou dois blues, no bis.
No dia em que se comemorava o Descobrimento do Brasil, a grande descoberta foi
feita por quem esteve no Canecão: o Living Colour, para a alegria do bom hard
rock, está de volta, e melhor do que nunca.