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Em Honkin’ on Bobo, Steven Tyler e cia. gravam blues e rock clássicos, de nomes como Willie Dixon e Joe Williams
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Por
Marcos Paulo Bin
Formado nos anos 70, o Aerosmith se afirmou, ao longo das décadas seguintes,
como um dos principais nomes do hard rock mundial, graças a petardos como Mama
Kin (de seu LP de estréia, auto-intitulado, de 73), Walk This Way
(do terceiro disco, Toys in The Attic, de 75) e Back In The Saddle
(do álbum seguinte, Rocks, de 76). Essa fama foi construída
principalmente durante a primeira fase do quinteto formado Steven Tyler (voz),
Joe Perry (guitarra), Brad whitford (guitarra), Tom Hamilton (baixo) e Joey
Kramer (bateria).
Nesses anos, o Aerosmith gravou sete discos inéditos, todos pela Sony, até lançar
Rock in A Hard Place, em 82 (já sem Whitford), e separar-se.
O time completo reuniu-se em 84, e foi contrato pelo selo Geffen, da Universal.
Durante os anos 80, o rock da banda ganhou toques mais comerciais, em discos
como Done with The Mirrors, de 95 (onde se destacava Shame on You),
Permanent Vacation, de 87 (Dude (Looks Like A Lady), Angel)
e Pump, de 89 (Love in An Elevator, Janie’s Got A Gun),
sem, no entanto, perder a fúria e a qualidade.
Bem, a partir de 93, com Get A Grip, seu último disco pela Geffen, o
quarteto manteve a qualidade, porém a fúria não era mais a mesma. Embora
continuasse fazendo rock, o grupo passou a apostar mais nas baladas, e foram
exatamente elas que alcançaram maior sucesso ao longo da década e mantiveram o
Aerosmith no topo. Em Get A Grip, mesmo, três babas românticas
estouraram: Cryin’, Crazy e Amazing, até hoje alguns dos
maiores hits da banda. Até mesmo Livin’ on The Edge, que chegou também
a fazer sucesso, não trazia mais as guitarras atormentadas de Perry e Whitford.
Em 97, de volta à Sony, mais um sucesso romântico: Hole in My Soul,
gravada em Nine Lives. No ano seguinte, Tyler e cia. atingiam o auge
dessa fase, gravando a babada I Don’t Want to Miss A Thing, que, ao
lado de outras três músicas do grupo, fez parte da trilha sonora do filme
“Armagedon”, com Bruce Willis. O single de I Don’t Want to Miss A Thing
foi o único da história da banda a atingir o primeiro lugar na parada
americana. O disco de “Armagedon” também foi bem-sucedido, liderando o Top
200 da Billboard e assim permanecendo por duas semanas.
Disco nasceu a partir de turnê com o Kiss
Três anos após Just Push Play, seu último álbum de inéditas, e dois
anos depois de ganhar duas coletâneas duplas (com o perdão de tantos
“dois”), uma da Sony e outra da Universal, o Aerosmith está de volta dando
uma guinada total em sua carreira. Na verdade, é mais do que isso; trata-se de uma
volta às origens. O grupo acaba de lançar, também pela Sony, o magnífico Honkin’
on Bobo, no qual relê clássicos do blues-rock.
Perry e Hamilton começaram a carreira formando uma dupla de blues, Pipe Dream,
que mais tarde seria a base da Jam Band. Antes de estourar, esse era o gênero
mais tocado pelo Aerosmith nas apresentações em bares e universidades, e o
acompanhou em seus discos nos anos 70.
Gravar um disco como Honkin’ on Bobo era um sonho antigo da banda. Mas
isso só começou a se concretizar em 2003, durante a megaturnê que Tyler e
cia. fizeram com o Kiss. Nos shows, o Aerosmith sempre tinha um set especial de
blues, no qual tocava pérolas como Stop Messin’ Around, clássico do
Fleetwood Mac (do disco Mr. Wonderful, de 68) gravado também por Gary
Moore; e Baby, Please Don’t Go, que Joe Williams compôs para seu LP Them,
de 64, e que ganhara uma versão do AC/DC.
As duas músicas comparecem em Honkin’ on Bobo em versões fantásticas;
Stop Messin’ Around, com Perry nos vocais, é uma das melhores faixas
do disco. O álbum traz ainda outras 10 canções, azeitadas com instrumentos
como harmônica, gaita, piano e órgão Hammond.