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Por Marcos Paulo Bin Considerado o criador da soul music, o cantor, compositor e tecladista americano Ray Charles morreu no dia 10 de junho vítima de problemas hepáticos. O músico estava em sua casa, em Beverly Hills, cercado da família e dos amigos. Conhecido por seus envolvimento com as drogas, nos anos 60 – ele chegou inclusive a ser preso por porte de heroína, afirmando, posteriormente, que havia se livrado da dependência – Ray Charles vinha enfrentando problemas de saúde desde 2003. Em agosto do ano passado, ele cancelou, pela primeira vez em mais de 50 anos de carreira, parte de sua turnê pelos Estados Unidos, em decorrência de fortes dores no quadril, que seria operado em dezembro. Mas novas doenças vieram, a principal delas no fígado. “O Sr Charles estava consciente quase até o fim, e queria que o mundo soubesse que ele sentiria falta de entreter muitas famílias e amigos, como sempre fez, até o verão passado, nos últimos 58 anos”, disse seu antigo empresário, Joe Adams, em uma entrevista coletiva que foi publicada pelo site da agência de notícias Reuters. Ainda de acordo com o site, o músico fez sua última aparição pública em 30 de abril último, em uma cadeira de rodas motorizada, quando seu estúdio em Los Angeles – de onde Joe Adams concedeu a coletiva – foi considerado pela prefeitura como um lugar histórico. “Visivelmente frágil, sua voz foi reduzida a um sussurro”, lembra a Reuters. Charles estava gravando um disco de duetos, onde cantaria com nomes como Elton John, Norah Jones e Johnny Mathis. Muito querido no meio musical, o cantor ganhou o apelido de “o Gênio” de Frank Sinatra, que renegava esse título. Outros artistas o chamavam de “o maior cantor pop de sua geração”. Ao saber da morte de Charles, a “soulwoman” Aretha Franklin lamentou. “Uma grande alma se foi”, disse ela, em nota publicada no site da CNN, possivelmente jogando com o significado da palavra “soul”. “Ele era um homem fabuloso, cheio de humor, um gigante de artista. Indubitavelmente, a música mundial perde sua voz. Ele é a voz de uma vida toda.” O amigo James Brown também demonstrou sua tristeza à CNN. “Nós perdemos um gênio, e eu perdi um irmão. Perdemos uma base do bem, e isso dói muito.” À BBC, o cantor country Marty Stuart lembrou que Charles não era só um músico dedicado ao soul. “As pessoas lembram de seus grandes sucessos e de sua imagem, mas esquecem como ele foi inovador nos anos 50 como um músico de jazz”. Outro artista country, Willie Nelson, falou da tristeza em perder um amigo. “Sentirei muita falta dele”. Cantor reuniu mais de 100.000
pessoas no Brasil Ray Charles Robinson nasceu no dia 30 de setembro de 1930 em Albany, no estado da Geórgia. Um glaucoma o deixou cego aos 7 anos, o que não o impediu de descobrir suas habilidades musicais. Matriculado em uma escola para surdos e cegos, ele aprendeu a ler e a escrever música em Braille, a tocar piano, sax alto, órgão, trompete e clarineta. Muito inspirado em Nat King Cole, Ray Charles fez sua primeira gravação em 1948, intitulada Confession Blues. Influenciado pelo gospel que aprendeu nas igrejas que freqüentava, o músico misturou o gênero ao blues para criar o soul. Sua fase na gravadora Atlantic, nos anos 50, é considerada por muitos como a mais criativa dele, graças a hits como What’d I Say e I Got A Woman. Após um flerte com o country – relido a seu modo, claro – Ray Charles fez fama recriando sucessos alheios, de uma forma tão original que parecia que as músicas eram dele. O maior exemplo foi Georgia on My Mind, de Hoagy Carmichael, que em 79 foi decretada como o hino oficial da Georgia (para Charles, esse foi o maior feito de sua vida, mais até que o fato de ter sido homenageado em 86 pelo então presidente americano Ronald Reagan). Mas o cantor também ficou famoso pelas versões que fez para músicas dos Beatles, como Eleanor Rugby e Yesterday, e pela gravação de We Are The World, com Michael Jackson e dezenas de outros astros internacionais, em 85. Ray
Charles esteve algumas vezes no Brasil. Em 95, chegou a reunir mais de 100 mil
pessoas no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Charles era divorciado e deixou
12 filhos. Um memorial será realizado em sua homenagem no dia 18 ou 19 de junho
em Los Angeles.
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