|
|||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
![]() |
|
|
Por Marcos Paulo Bin Nos últimos cinco anos, o lendário grupo de hard rock alemão Scorpions rendeu-se ao mercado, gravando dois discos ao vivo nos quais relia parte de seu vasto repertório de mais de três décadas. Isso é fato, mas as críticas que Klaus Meine (voz), Rudolf Schenker (guitarra), Matthias Jabs (guitarra), Pawell Maciwoda (baixo, substituindo Ralph Rieckermann) e James Kottak sofreram são questionáveis. Complicado? Nem tanto. É claro que a enxurrada de discos ao vivo que cai sobre o mercado mundial é extremamente prejudicial a todos. Aos novos compositores, que não podem mostrar seu trabalho; às gravadoras, que vivem uma ilusão de vendas (afinal, uma hora o artista que vende milhões de discos ao vivo terá que voltar ao estúdio); ao artista, que não se renova; e ao público, principalmente, que, sem saber, está comprando gato por lebre. A não ser que o tal ao vivo traga muitas faixas inéditas, e boas (o que é raro nos dois casos), quase sempre vale mais a pena adquirir os álbuns originais. Além disso, ao fazer a fama de projetos como os “Acústicos MTV” da vida, o público acaba gerando um ciclo vicioso – outros artistas vão continuar relendo seu repertório, sem apresentar novidades. Aí o compositor novo não mostra seu trabalho, a gravadora entra na ilusão e começa tudo de novo. Mas é difícil saber se o consumidor é culpado ou vítima. É um tema que geraria longos debates. Bem, mas e o Scorpions com isso tudo? Em 2000, o grupo liderado por Klaus Meine lançou um disco antológico, Moment of Glory, gravado ao vivo com os conterrâneos da Orquestra Filarmônica de Berlim. Sucessos como Rock You Like A Hurricane (que virou Hurricane 2000), Send Me An Angel, Wind of Change e Still Loving You ganharam belíssimas versões orquestrais, num resultado surpreendente. No ano seguinte, para desespero de alguns (da crítica principalmente), o Scorpions novamente relia seu repertório, desta vez no formato acústico. Não era um Unplugged MTV, mesmo porque lá fora o projeto não tem a mesma força (e não é tão oportunista, em alguns casos) como aqui. Com o sugestivo nome de Acoustica, o CD foi gravado numa igreja abandonada em Portugal, onde é grande o fã-clube do grupo. Em Acoustica, lá estavam os mesmos sucessos: Rock You Like A Hurricane (que naquela hora virou Hurricane 2001!), Send Me An Angel, Wind of Change e Still Loving You. O disco era maior, e trazia, além de outros antigos sucessos, duas releituras: Dust in The Wind, do Kansas, e Love of My Life, do Queen. Após Acoustica, a imprensa mundial caiu em cima do Scorpions, acusando o grupo de continuismo e falta de criatividade. Mas... “Mas”, novamente, Klaus Meine e cia. lançaram um disco lindíssimo. Mesmo com um repertório parecido e um tanto óbvio, até nas releituras, o quinteto conseguiu dar uma cara novas às velhas músicas, que ficaram até melhores que as originais. Os arranjos de Acoustica são magistrais, com destaque para o piano e as cordas. Em muitos fóruns da internet, fãs de rock comentam que é mais bonito acústico lançado no exterior. E realmente é. Se fosse da MTV, seria o melhor da série. Uma pena que a turnê não tenha passado pelo Brasil. Mas,
há cinco anos sem lançar nada novo, o Scorpions já devia a seu público um
disco em que voltasse às origens. E é o que eles fazem Unbreakable,
cuja crítica você lê a seguir.
Ficha técnica, faixas e compositores |
||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||||||