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Por Marcos Paulo Bin Bastam oito faixas e 27 minutos para o Rush fazer um grande disco. E não precisam ser músicas autorais, muito menos novas. Comemorando 30 anos de lançamento de seu primeiro álbum, auto-intitulado – que trazia o clássico Working Man – o trio canadense formado por Geddy Lee (baixo e voz), Alex Lifeson (guitarra) e Neil Peart (bateria) volta às origens e grava um CD de covers. Feedback (Warner) traz um repertório formado por canções que os três tocaram no início de suas carreiras, antes mesmo de formar o Rush, ou que simplesmente os influenciaram. “Era abril de 2004, mas eu, Geddy e Alex estávamos canalizados de volta para 1966 e 1967, quando éramos iniciantes de 13 e 14 anos. Achamos que seria uma maneira apropriada para comemorar nossos 30 anos juntos se retornássemos às nossas raízes e prestássemos um tributo àqueles com os quais aprendemos e que nos inspiraram. Pensamos que poderíamos gravar algumas das músicas que a gente costumava escutar, aquelas das quais, cuidadosamente, aprendemos a harmonia, a melodia e o ritmo e até tocávamos nas nossas bandas antigas”, explica Neil Peart, no texto de apresentação do disco. Para o baterista, gravar esse repertório foi uma forma de fazer aniversário se divertindo. “As músicas celebram uma época divertida nas nossas vidas, e nós nos divertimos celebrando essa época”, afirma. Com releituras de clássicos do folk, rock e blues, Feedback foi lançado mundialmente em junho, mas só chegou ao Brasil em agosto, trazendo diferenças na ordem das faixas. O disco surge menos de um ano depois dos magníficos CD e DVD Rush in Rio, gravados na lendária apresentação do trio no Maracanã, em novembro de 2002. Outra banda de hard rock fez um projeto semelhante este ano, o Aerosmith, com seu Honkin’ on Bobo (clique aqui para ler a matéria). Embora deva-se respeitar as devidas diferenças entre os grupos – o som do Rush é mais influenciado pelo rock progressivo, menos radiofônico, e o trio não explora tanto as baladas como Steven Tyler e cia. – os dois discos são muito bons, e lideram facilmente o ranking dos melhores de 2003 entre os lançamentos de rock internacional com repertório que não é inédito. Uma curiosidade de Feedback
é que algumas versões do Rush não são baseadas nos originais, mas sim em
outras versões. Crossroads, por exemplo, era um do
Do repertório original do The Who, o Rush relê uma canção nada óbvia, The Seeker. Já dos Yardbirds (outra banda da qual Eric Clapton fez parte antes de partir para a carreira solo), o trio apresenta dois grandes sucessos: Heart Full of Soul e Shapes of Things, esta última com nítida influência beatle. O repertório termina com For What It’s Worth e Mr. Soul, dos conterrâneos do Buffalo Springfield (último grupo de Neil Young antes da carreira solo), e Seven And Seven Is, do Love. Neil Peart ganhará livro de
fotos Se fosse para resumir o espírito de Feedback em uma só uma música, Crossroads, que encerra a versão brasileira do disco, seria uma ótima representante. A canção ganhou uma versão incendiária. Tudo que fez a fama do Rush está ali: a voz rascante de Geddy Lee, a habilidade de Alex Lifeson na guitarra, com solos memoráveis, e o virtuosismo de Neil Peart, considerado, não à toa, um dos melhores bateristas do mundo. E o que é melhor: em Feedback, o Rush deixou de lado os teclados – que tiveram presença marcante em Rush in Rio, quando o trio releu toda a sua trajetória – e também os backing vocals, o que conferiu ao disco uma sonoridade crua, essencialmente roqueira. Mas a utilização de instrumentos pouco tradicionais como mandola e címbalo deu uma riqueza extra às canções. Além de Crossroads, vale destacar as versões de Heart Full of Soul, que começa como balada folk, misturando guitarra e violão, e ganha peso no decorrer da música, e For What It’s Worth, a única que mais se aproxima de uma balada. Neste
momento, o Rush faz uma turnê comemorativa de seus 30 anos. Em agosto, eles
passaram por Estados Unidos e Canadá. Em setembro, é a vez da Grã-Bretanha:
Londres (8 e 9), Birmingham (11 e 15), Manchester (12) e Glasgow (14). Neil
Peart ganhará um livro de fotos, chamado “Rhythm and Light”, tiradas pela
fotógrafa Carrie Nuttall. E os fãs, é claro, aguardam um novo álbum de músicas
inéditas, que não vem desde Vapor Trails, de 2002.
Ficha técnica, faixas e compositores
Rush grava DVD no Rio |
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