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Por Leisa Ribeiro Lisa Ono é cantora, compositora,
instrumentista (violonista), mas não pense que ela é parente de Yoko Ono.
Descendente de japoneses, Lisa nasceu em São Paulo, mas aos 10 anos mudou-se
com a família para o Japão e logo começou a se apresentar em casas de espetáculos
como a Saci-Pererê – cujo proprietário era seu pai – cantando músicas
brasileiras. Com o tempo, Lisa Ono se tornou
uma espécie de embaixadora da MPB no Japão, principalmente do samba e da bossa
nova. O primeiro disco foi Catupiry, em 1989, e agora ela já soma quase
20 CDs. Sucesso no Japão, só em 1994 Lisa lançou um disco no Brasil. Esperança,
que tem participações de Tom Jobim, Sivuca, Paulo Moura e Danilo Caymmi,
agradou também aos brasileiros, e de lá para cá ela se tornou mais conhecida
em sua terra natal. Em 2000, logo depois de gravar, no
Rio de Janeiro, o disco Bossa Carioca, produzido pelos descendentes de
Tom, Paulo e Daniel Jobim, Lisa criou um selo, Nanã, com o objetivo de divulgar
a música brasileira no Japão. A nissei garante que visita o Brasil com freqüência
até mesmo para se manter informada sobre o mundo da bossa. Prova disso é que a gravadora
Deckdisc lançou no Brasil há pouco tempo dois álbuns de muito bom gosto da
cantora, Questa Bossa Mia... e Dans Mon Île, um dedicado às canções
em italiano e outro às francesas, respectivamente. Tudo relido sob a batida
sincopada da bossa nova. Questa Bossa Mia explora
canções famosas da música italiana nos anos 60 e temas de filmes. São clássicos
como Piove (Ciao Ciao Bambina), O Sole Mio e Nel Blu Dipinto Di
Blu (Volare), bastante conhecidas dos brasileiros. Jerry Adriani, por
exemplo, gravou essas três e outras canções no CD O Som do Barzinho 11,
lançado pela Indie Records em 2002. Como sugere o subtítulo, em Dans
Mon Île a música francesa encontra a bossa nova. No CD, Lisa Ono explora
standards como C’est Si Bon, Lês Parapluies de Cherbourg, Pour
Toi, Dernière Valse e La Vie En Rose, além da faixa-título.
Inicialmente lançado no mercado japonês, como Questa Bossa Mia..., Dans
Mon Île foi gravado em estúdios de São Paulo, Tóquio e Paris, e tem
arranjos e direção musical de Mário Adnet. Fã de João Gilberto Lisa Ono possui 15 de carreira.
Suas intensas pesquisas musicais resultaram em trabalhos muito agradáveis.
Talvez isso tenha acontecido porque ela é uma cantora sem preconceitos e que
cria uma identificação muito forte entre as culturas do Brasil e do Japão, países
que sempre mantiveram estreitas relações. Mas, como brasileira e fã de João
Gilberto, ela não esconde a paixão pelo país de origem. E garante que cantar
em português é uma experiência única. “A
música brasileira é mais bonita quando cantada em português, mais do que em
qualquer outro idioma”, declara Lisa, no texto de divulgação dos discos.
Ficha técnica, faixas e compositores |
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