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Por Marcos Paulo Bin Em tempos de conflito civil no Iraque, reeleição de Bush e morte de Arafat, o nome do novo CD do U2, How to Dismantle An Atomic Bomb (Universal), é bem oportuno. E coerente com a trajetória de mais de 20 anos da politizada banda irlandesa, autora dos mega-hits Sunday Bloody Sunday, que fala dos conflitos religiosos na Irlanda do Norte em 1972 (o famoso “domingo sangrento”), e Pride (In The Name of Love), homenagem a Martir Luter King, ícone da luta pela igualdade racial. É claro que o disco, cujo lançamento oficial em todo o mundo foi no último dia 22 de novembro (mas que já havia vazado pela internet), já estava pronto antes dos dois últimos fatos. Mesmo assim, a nova ordem mundial e a veia engajada do vocalista Bono Vox, autor de todas as letras (três em parceria com o guitarrista The Edge), foi suficiente para ele compor Love And Peace Or Else, que diz: “Abaixe suas armas / Todos os filhos de Zion, todos os filhos de Abraão / (...) As tropas estão no chão prontas para cavar / E eu pergunto: onde está o amor?”. No encarte do disco, o grupo ainda clama pelo fim da violência contra a mulher, sugere às pessoas que ingressem no Greenpeace e pede ajuda para uma instituição que cuida da pobreza na África, dando endereços e e-mails de contato. Mas, apesar de tudo isso, e do próprio título, o álbum não tem a política como tema central. Bono, The Edge, Adam Clayton (baixo) e Larry Mullen Jr. (bateria) – formação que se mantém desde o início do U2, no fim dos anos 70 – preferem ensinar que a melhor forma de desarmar uma bomba atômica não é com discursos, mas com o amor. As letras de How to Dismanter An Atomic Bomb são densas, complexas, quase sempre com um fundo romântico. A própria Love And Peace Or Else é um exemplo disso. Musicalmente, o U2 dá continuidade ao que vem fazendo desde seu último álbum de estúdio, o multiplatinado All That You Can’t Leave Behind, de 2000: a retomada das origens roqueiras, de uma sonoridade que ficou característica nos anos 80 mas que se perdeu um pouco nas investidas que a banda fez no universo da música eletrônica, em meados dos anos 90. Em 11 faixas – a 12ª, Fast Cars, que traz os versos de onde foi tirado o nome do CD, aparece no encarte mas foi excluída do disco – o U2, sem soar retrô, lembra os bons tempos misturando rocks energéticos com baladas. Disco não é unanimidade entre
os fãs Entre as músicas mais agitadas, o destaque absoluto é a contagiante Vertigo, primeira faixa de trabalho, onde o velho entrosamento entre a voz de Bono e a guitarra de The Edge mostra-se mais forte do que nunca. Vale citar também All Because of You, que será o segundo single. Entre as mais calminhas, a melhor é A Man And A Woman, letra inspirada de Bono. City of Blinding Lights é a cara do U2, lembrando antigos hits, e Somethimes You Can’t Make It on Your Own, outra bela canção, é dedicada ao pai de Bono, Bob Hewson, morto em 2001. Nos Estados Unidos, o novo disco do U2 tem gerado controvérsias entre os fãs do grupo irlandês. Alguns o consideram uma obra-prima, enquanto outros chegam a dizer que parece um trabalho daquelas bandas “one hit wonder”, ou seja, de um só hit, que surgem como um raio, fazem grande sucesso e somem. As vendas por lá, na primeira semana que o disco estava nas lojas, também não corresponderam ao esperado pela Universal. Nem
os mais empolgados nem os céticos, muito menos a gravadora, devem se
precipitar. A verdade é que How to Dismantle An Atomic Bomb não é o
melhor álbum do U2, mas não tem porquê decepcionar os fãs. Trata-se de um
grande disco de rock e que certamente vai emplacar com o tempo. O letrista com
nome de biscoito brasileiro ainda tem muito a dizer além dos versos de Vertigo.
Ficha técnica, faixas e compositores |
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