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Divulgação
Depois de vencer o Oscar de melhor canção, Jorge Drexler veio ao Brasil divulgar seu mais recente CD, Eco
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Por
Marcos Paulo Bin
10/03/2005
Este ano, o Brasil não teve concorrente ao Oscar na categoria melhor filme. O
representante tupiniquim, “Diários de Motocicleta”, concorria aos prêmios
de melhor roteiro adaptado e canção original. Acabou vencendo neste último,
mas o mérito não é de um brasileiro. A música escolhida, Al Otro Lado del
Río, é do uruguaio Jorge Drexler, que, a reboque do sucesso repentino,
veio ao país trazido por uma operadora de telefonia.
O cantor, compositor e violonista apresentou-se no shopping Rio Sul, no Rio, no
dia 8 de março. Foi um dos primeiros shows de Jorge Drexler após a vitória
no Oscar e a estréia em palcos brasileiros, com banda. O cantor esteve no país
em 2003, quando gravou com Moska a faixa Dos Colores: Blanco y Negro, no
CD Tudo Novo de Novo. O mesmo disco trazia uma versão em português para
La Edad del Cielo, de Drexler, vertida para A Idade do Céu.
“Sou paciente”, disse Drexler
O “buxixo” em torno de Jorge Drexler foi grande não tanto por Al Otro
Lado del Río, mas sim pela cena que ele protagonizou na cerimônia do
Oscar. Impedido pela produção de cantar a música, ele a viu e ouviu sendo
interpretada por um desafinado Antonio Banderas. Na hora de receber o prêmio, o
músico uruguaio cantou um trechinho da música, mostrando como deveria ser
feito.
Dessa forma, o público no Rio Sul – formado por convidados da empresa telefônica
e da gravadora Warner, incluídos atores globais e músicos, e por pessoas
sorteadas em uma promoção – era de poucos fãs e muitos curiosos. Um deles
era o barão-vermelho Guto Goffi, que assumidamente não conhecia nada
sobre Jorge Drexler.
“O Suzano (Marcus Suzano, percussionista), que é meu amigo, já
participou de um disco do Jorge Drexler e disse que ele é maravilhoso. É um
colega de Warner. Vim ver qual é”, disse Guto.
Como a maior parte do público tinha o mesmo (des)conhecimento do baterista do
Barão Vermelho, Drexler não conseguiu a atenção que queria. Com um bom
português, ele reclamou diversas do barulho, enquanto os fãs – alguns com as
músicas na ponta da língua – faziam um uníssono psiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiu.
“Estar hoje aqui cantando para alguns de vocês (bem enfatizado)
deve-se muito ao fato de eu ter vindo ao Brasil há dois anos participar do
disco de um carioca que é meu amigo e está estourado em Montevidéu”, disse
um constrangido Drexler, chamando ao palco Moska, com quem cantou La Edad del
Cielo, em português e espanhol. Também participaram do show Marcus Suzano
e o guitarrista Celso Fonseca.
Depois de cantar Se Va, Se Va, Se Fue, conhecida dos fãs, Drexler voltou
a esbravejar.
“Não estou acostumado a cantar com tanto ruído”, reclamou.
O ápice do mal-estar aconteceu no momento acústico, quando Drexler fez números
sozinhos ao violão. Após cantar Al Otro Lado del Río, o uruguaio se
irritou com o barulho que vinha do fundo do Rio Sul.
“Sou paciente”, lamentou o músico, citando o baiano João Gilberto, que
costuma ter a mesma atitude no palco. “Eu lamento, mas vou continuar tocando
de forma acústica. Preciso de silêncio para cantar.”
Pop latino
Embora seja desconhecido da maioria dos brasileiros, Jorge Drexler está há
mais de 10 anos na estrada. Seu primeiro disco, La Luz Que Sabe Robar, é
de 1992. O mais recente, Eco, foi lançado em 2004 e reeditado este ano
com a música Al Otro Lado del Río.
No Rio Sul, o uruguaio mostrou que faz um pop latino muito agradável e
refinado. Acompanhado de um power trio (guitarra, baixo e bateria), ele
tocava violão enquanto mexia numa aparelho de bateria eletrônica. Às melodias
simples, porém bem executadas, somam-se letras instigantes, como a de Guitarra
y Voz, uma das faixas de Eco.
A quem prestou atenção no show, Jorge Drexler agradou. Artistas de língua
hispânica não costumam emplacar no Brasil, país dominado pela cultura
anglo-americana, mas quem sabe com ele a história seja diferente.