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Divlugação
O trio finlandês Apocalyptica faz heavy metal sem usar guitarras. “É só uma questão de colocar mais distorção nos cellos”, minimiza o músico Eicca
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Por Marcos Paulo Bin
23/03/2005
Rock e música clássica sempre flertaram um com o outro. Em um de seus primeiros
álbuns, em 1970, o Deep Purple gravou ao lado da Orquestra Filarmônica de
Londres. Em 1999, o Metallica lançou um CD emblemático dessa fusão, o duplo
S&M, no qual relia seus sucessos acompanhado da Orquestra Sinfônica de São
Francisco. No ano seguinte, os alemães dos Scorpions fizeram o mesmo, lançando
Moment of Glory, onde dividem a cena com a Orquestra Filarmônica de
Berlim. Em 2003 foi a vez do Kiss, em Symphony – Alive IV, no qual a
banda mascarada toca alguns de seus hits acompanhada da Orquestra Filarmônica de
Melbourne. No Brasil, o sucesso da série Acústico MTV – em que as bandas,
quase sempre, são acompanhadas por instrumentos como violas, violinos e
violoncelos – é uma prova dessa tendência.
Hoje, no novo cenário do rock, onde o importante é misturar, algumas bandas
dedicam-se a fazer um som pesado mas com toques de suavidade, seja pelos vocais
líricos ou pelo uso de naipe de cordas. Dois nomes emblemáticos nesse gênero são
os americanos do Evanescence e os finlandeses do Nightwish. Entretanto, ninguém
faz essa mistura como o grupo Apocalyptica, coincidentemente também da
Finlândia.
Lançando seu quinto CD, auto-intitulado, o Apocalyptica é formado por três
violoncelistas: Paavo Lötjönen, Eicca Toppinen e Perttu Kivilaakso. Fãs de nomes tão distintos quanto o erudito Shostakovits e os
roqueiros do Slayer, eles fazem um som autodenominado “cello-rock”. Sem usar
guitarras, apenas distorcendo seus violoncelos, Lötjönen, Toppinen e Kivilaakso
conseguem uma sonoridade pesada, que não fica devendo em nada às bandas “comuns”
de heavy metal. Chega a ser impressionante a semelhança entre o som dos cellos e
de guitarras.
“É só uma questão de colocar mais distorção nos cellos”, simplifica Eicca, em
entrevista ao site europeu Total Rock. “Há realmente uma personalidade diferente
em cada som, quando há um cello e uma guitarra distorcidos. As pessoas, quando
escutam o som distorcido, sempre associam à guitarra, porque sempre foi assim.
Mas acho que se você ouvir atentamente os dois, vai verificar que o cello tem
mais força.”
O mais interessante é que a banda não usa instrumentos elétricos; os cellos são acústicos, tanto nas gravações quanto nos shows. Os outros instrumentos, quando utilizados (apenas baixo e bateria), são tocados por músicos convidados. Algumas vezes há participações vocais. O trio já se apresentou ao lado do Metallica e de Nina Hagen, entre outros.
Apocalyptica, lançado no início de 2005, é o quinto CD da banda. A primeira
faixa de trabalho, lançada como single em 2004, foi Bittersweet. Este
ano, um novo single chegou às lojas do exterior, com as faixas Quutamo,
En Vie e duas extras: Wie Wait e How Far, ambas com os
vocais de Marta Jandová. O disco também trazia uma faixa multimídia.
O próximo lançamento do Apocalyptica é o terceiro single do álbum, que traz como
novidades uma versão instrumental para a faixa Life Burns e versões
demonstrativas de duas músicas que não estão no CD: Deep Down Ascend e
Kellot.
Conheça no link a seguir a biografia do Apocalyptica e leia a crítica de seu
novo CD.
Trio lança quinto e mais ousado CD